As Crônicas do “Vai dar tudo errado”
- Luz, a Joana

- Oct 14, 2020
- 2 min read
Updated: Feb 22, 2023
Não sei se este texto se trata de uma crônica, não sou lá muito familiar com crônicas, nunca fui chegada nelas, não sou cronista. Sendo ou não uma crônica, uma quase crônica ou algo do tipo, é algo que não sai da minha cabeça: A gente tem mania de achar que vai dar tudo errado, né?
Às vezes a situação nem nos foi apresentada e já pensamos “ah, não vai rolar. Não vai dar certo, não vai”. Nos agarramos ao hábito e o utilizamos de muleta, atrelando cada experiência presente com uma passada, como se procurássemos desculpas para sofrermos por antecedência.
“Já vi esse filme, sei como termina”, “Isso já aconteceu e deu errado”, “Já vivi algo assim, vou estragar tudo outra vez”. Maldita repetição da palavra “já”, como se fosse um mantra, uma sombra que nos persegue e nos impede de viver. Arrastamos ela por onde vamos, como um peso acorrentado à perna de um prisioneiro. Somos prisioneiros dos nossos medos.
Sim, medos. Medo de errar de novo, medo de se machucar de novo, medo de reviver algo que não era para ser revivido. E daí nos privamos das surpresas do mundo, dos diferentes fins que um mesmo começo pode ter.
Essa questão já foi muito abordada por diversas áreas como a própria filosofia, seja na relação entre causa e efeito tratada por Hume ou nos famosos ídolos de Bacon. Nesse texto, são dos ídolos que estou falando, mais especificamente dos ídolos da caverna.
Um pouco do que aprendi sobre eles já se perdeu nas loucuras desse ano, mas acredito ainda ser capaz de relacioná-los ao tema dessa crônica (ainda não garanto a “cronicidade” dessa talvez crônica). Eles são, em linhas gerais, as caraminholas que nós mesmos enfiamos nas nossas cabeças com base nas experiências negativas que tivemos. Uma pessoa que namorou quatro vezes e nas quatro vezes foi traída vai meter dentro de si que todo namoro termina em traição. Todo namoro termina em traição? Talvez. - BRINCADEIRA! – Não, nem todo namoro termina em traição. Essa é uma falsa correlação.
E são dessas falsas correlações que se tratam As Crônicas do “Vai dar tudo errado”. Sim, o copo já esteve meio vazio. Não, isso não quer dizer que ele vai estar outra vez. Sim, já falhou uma vez. Não, isso não quer dizer que está fadado ao fracasso.
A vida é cheia de surpresas e reviravoltas. Nada é para sempre, nada é imutável e isso é um alívio, diga-se de passagem. O mundo é imprevisível e, veja só que bonito, essa é a nossa única certeza: que nada vai ser igual.
Luz, a Joana




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