Viagem escolar - Crônica
- E. R. Recco

- Sep 5, 2020
- 2 min read
Eu estava na escola, havia acabado de terminar uma prova. Eu e mais alguns amigos que também haviam feito a prova, estávamos comparando nossas respostas no caminho para a saída quando me deparo com a sala da monitoria.
A monitoria seria um grupo de alunos que auxiliaria o colégio em diversos eventos e, para os propósitos de minha história, acompanhava crianças em viagens escolares. Sua sala, e todos dentro e fora dela, estavam em uma tremenda correria, (seria uma grande redundância da minha parte se eu lhes dissesse que a sala estaria agitada apenas naquele dia, só para dar ênfase ao quão agitada ela estava neste dia em específico), e então me lembrei que hoje seria o dia em que o 5º ano faria sua primeira viagem de estudo do meio. Eu fazia parte da monitoria, mas estava fazendo prova e então não havia sido convocado, mas ajudei no que pude.
Estava tudo pronto pra a saída das crianças e então as direcionamos para que entrassem no ônibus. Os pais estavam na calçada, assistindo seus filhos embarcarem, gritando seus nomes, acenando com as mãos e, alguns, até chorando, pareciam astros de Hollywood em turnê. Eu, nesse momento estava do lado de fora, os vendo embarcar e, especialmente, vendo meu irmão mais novo que também iria na viagem.
Os motores ligam, os pais acenando despedida e os ônibus partem. O que mais me intrigou foi a reação das crianças, ao contrário da minha turma quando havia ido na mesma viagem a anos atrás, elas apenas esqueceram. Esqueceram dos pais, da vida e de suas preocupações, nem responderem aos acenos desesperadores, afinal de contas eles estavam indo em uma viagem com seus melhores amigos e sem pais, para que se preocupar? Acho que eles levaram a história de Hollywood muito a sério.
Parecíamos fãs e eles, astros que não tinham tempo para seus fãs. Será esta nova geração está menos apegada a sua família? Será que estão com uma vontade de querer sair de casa o mais rápido possível? Ou será que as gerações anteriores eram mais emotivas? Acho que nunca saberemos realmente, já que o rejuvenescimento é impossível, teremos de nos contentar com o que as crianças nos dizem e sempre existem as mentiras para agradar os pais.
Usemos um exemplo: meu irmão mais novo. Esse sim se encaixaria nessa classificação de menos apegado. Ele prefere passar os finais de semana inteiros em um clube, no qual eu e minha família somos associados há alguns anos, jogando futebol com seus amigos a uma tarde no sofá vendo um filme com sua família. Isso talvez nos dê algumas evidências, porém nem todos são assim e, na percepção de qualquer médico, jogar futebol é preferível a alternativa.
Mas seria o motivo por esse desapego alguma razão sentimental (como uma vergonha ao ser visto pelos amigos), ou apenas o desejo de serem “livres” para fazerem o que querem? Eu particularmente, não tenho a resposta para esse dilema, mas se você deseja saber, recomendo que converse com uma dessas crianças e, talvez, isso ajude você a entender um pouco mais a mente desses intrigantes seres humaninhos.





Comments