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Resoulução de alguma coisa

  • Writer: E. R. Recco
    E. R. Recco
  • Mar 23, 2023
  • 3 min read

Eu amo esse clima de Ano-Novo, mas também, quem não ama? A alegria, o espumante, a licença social para ficar bêbado em público e a esperança de que o ano que vêm vai ser melhor do que esse horror que acabou de se dar por aqui. E é com esse mesmo clima de esperança e renovação que algum sujeitinho (que claramente não sabia onde estava com a cabeça) decidiu criar o conceito das Resoluções de Ano-Novo, porque para um momento tão especial, apenas justo que haja uma promessa nossa a altura! Estamos dizendo para nós mesmos “é então, o ano foi bem ruim, mas o próximo será melhor porque eu vou ser melhor! Vou me dedicar mais à (meta genérica) e, assim, o ano vai ser melhor”.

Mas daí o tempo passa, janeiro já vai terminando e algum amigo/familiar seu pergunta: “Mas e a (meta genérica)? Como vai indo?”. Instantaneamente, você começa a ter surtos de ansiedade por perceber que você nem pensou sobre a sua meta, mas também lembra o quão difícil essa meta realmente é, então, para apaziguar tudo, você manda um “Tá indo bem” e o assunto encerra por aí. Daí aquele mesmo sujeitinho mal caráter do começo, que obviamente enfrentou o mesmo desespero, inventou a sua 2ª melhor ideia de todas “Ok cara, a coisa tá feia pro nosso lado, o negócio mesmo é adiar isso, eu não vou conseguir correr e fazer tudo agora, vou colocar lá pra... sei lá, depois do Carnaval? Daí resolve”.

Adivinha? Chega o Carnaval, e nada. Então você adia para a Páscoa e... nada. Continue com essa postergação infinitamente, até você voltar pro ponto de partida: o Novo Ano-Novo e só lá você decide que a sua meta nem fazia sentido mesmo, ainda bem que não a fez, agora tem uma outra aqui que ó...

Esse ciclo se repete para todos nós e com todos os tipos de objetivos, desde os mais comuns de voltar à academia, ler mais, participar mais ativamente da comunidade, até coisas mais específicas, como escrever um texto sobre resoluções de Ano-Novo que você definitivamente não lembrou só de fazer depois do Carnaval. Seja qual for, é nítido que todos queremos ser melhores, queremos nos desenvolver em todos os sentidos, afinal de contas, as resoluções são feitas verdadeiramente, a gente só tem dificuldade em seguir com o que queremos.

Já dizia a velha frase, “Fácil é falar, o difícil mesmo é fazer” e ela nunca foi tão verdade quanto nesse tema. A gente muitas vezes prefere acreditar em destino, que o que é pra ser será e, muitas vezes, é a maneira mais certa de ver as coisas, mas mesmo a história nos mostrando que a apatia é a melhor decisão, ela também nos mostra que apenas aqueles que agem é que serão realmente lembrados. Você provavelmente não será lembrado para sempre como um ícone da ginástica ou um escritor renomado simplesmente por cumprir com suas resoluções de Ano-Novo, mas tudo na vida são passinhos de bebê e, quem sabe, aos poucos, você vai se motivando a fazer coisas na sua vida que te levem a ser o/a maior leitor de todos os tempos.

Resoluções não são a melhor forma de atingir os seus objetivos, eu sei, se forçar a atingir uma meta que pode não ser tão realista não é saudável, mas a ideia fica: não podemos desistir de nos melhorarmos. E ainda por cima, se imagine depois de atingir aquela meta, aquele desejo, não precisa ser por completo, mas só o simples fato de você avançar um pouco e estar mais próximo de uma pessoa melhor é uma sensação incrível e que todos deveríamos experimentar. E lembre-se: para alguns de nós (as vezes, todos nós), pedir ajuda é uma forma de nos melhorarmos, assim como trabalhar em nós mesmos e cuidarmos um pouco de si.

Além do mais, a gente se esquece de outra coisa quando fazemos resoluções: que o ano que está acabando não foi o bicho de sete cabeças que você diz ser, né? Afinal de contas, o tanto que você aprendeu esse ano, hein? Você só saberia que consegue correr apenas 30 minutos de esteira até começar a cansar com ele; que prefere purê de mandioca ao de batata com ele; que os amores duram para sempre (ou não) com ele. Apesar de te testar, hoje você pode olhar para traz e pensar que, sem esse teste, quem você seria hoje?

Infelizmente, não sou eu quem vou convencer às outras sete bilhões de pessoas no mundo a pararem de fazer resoluções de Ano-Novo, mas estou tentando, afinal essa é a minha resolução...

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