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De onde vêm as maçanetas?

  • Writer: E. R. Recco
    E. R. Recco
  • Nov 28, 2021
  • 3 min read

A noite é a hora onde as melhores ideias sempre aparecem (pelo menos para mim), mas temos o fardo de, como já é noite, não ter a força de vontade de escrever ou de anotar em algum lugar. “Amanhã eu lembro”, não lembra não. Hoje à noite, durante a janta, a TV estava ligada naqueles programas de pergunta e resposta, onde as perguntas parecem cada vez mais impossíveis com o passar do tempo. A gente tinha começado com “Quem foi Pedro Álvares Cabral?” para “Sabendo que a minha cor favorita é azul, descubra o diâmetro do Sol”.

Mas enfim, eu não vim aqui falar da mal qualidade das perguntas do Jogo do Milhão, eu vim falar dos competidores, ou melhor, de um em específico. Um dos competidores, enquanto se apresentava, disse que trabalhava para uma empresa que faz... (rufem os tambores) fontes de água! Sim, as fontes de água que tem em todo parque e praça de esquina. Você, assim como eu, provavelmente nunca pensou em uma coisa dessas, quem faz as fontes? Parece uma coisa tão insignificante que tem vezes que eu pensava que elas só estavam lá, foi bem assim: Big Bang, criação da Via Láctea; criação da Terra; as fontes aparecem.

Mas o que isso realmente me fez pensar é sobre as pessoas na minha vida que constroem as fontes, aquelas que a gente nunca parou para pensar e que sempre a considerou como um fato da vida. Faça essa reflexão com você mesmo: você já parou para pensar quem dirige o seu ônibus? Quem limpa o seu chão? Quem pinta as paredes? Quem fez a sua comida? Quem entregou a sua comida? A parte que todas essas pessoas têm em nossas vidas é tão pequena e, ao mesmo tempo, tão grande que você não conseguiria imaginar um mundo sem elas. E, ainda assim, a gente nunca nem parou para pensar.

Eu nasci e moro em São Paulo, uma monstruosidade de cidade, acho que dá até para considerá-la um ser vivo de tão agitada e complexa que ela é. Imagine se, um dia, do nada, os metrôs param, os ônibus não andam, os restaurantes estão fechados, os postos de gasolina estão sem a gasosa, como seria esse dia na grande SP? Um inferno na Terra, certeza. Agora, quando eu te pergunto o que causou tudo isso, você por acaso pensa em uma falha no motor do trem? Os pneus dos ônibus furaram? Os carregamentos de comida não chegaram? Ou, você pensa que a motorista entrou em trabalho de parto? A mãe do cozinheiro está doente? Os filhos do operador do trem têm uma apresentação na escola? Pois é...

Cada uma dessas pequenas pessoas tem uma vida, um mundo próprio, assim como eu e você e não é só porque eles têm trabalhos pequenos ou aparentemente “insignificantes” que a gente pode se esquecer disso. A gente tem que dar o valor para cada um dos trabalhos, claro que dá mais dinheiro ser médico, advogado, CEO, CFO, COO e mais um milhão de siglas todas emprestadas do inglês, mas vamos combinar: o mundo não funciona sem os garis, sem os motoristas, sem os atendentes, sem os operários, todo esse pessoal realiza uma função que importa demais para a sociedade.

E não me venha com conversa fiada de que eles são substituíveis, você pode ter quantos diplomas de Harvard quiser, mas quero ver ter que concertar o trilho da CPTM quando der pau, ou lidar com passageiros bêbados ou limpar Deus sabe o que das canaletas das avenidas. E, além do mais, vai pensando que você com o seu diplomazinho não pode ser trocado por um computador vai...

Já tá na hora da gente começar a dar mais valor a todas essas pessoas que dão a vida para que cidades como A Que Nunca Dorme funcionem. Não para desmerecer as outras funções e diplomas, mas só para fazer você pensar um pouco e ter mais consciência. Bom, agora dá licença que eles acabaram de chegar na pergunta do milhão e essa eu não posso perder... Como trocar o metrô de faixa quando ela está interditada? Vish...


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