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O álcool da empatia

  • Writer: E. R. Recco
    E. R. Recco
  • Dec 9, 2020
  • 2 min read

Recentemente, minha mãe está me fazendo ir academia dia sim, dia não, talvez nem sempre com o mesmo entusiasmo, mas ainda vamos (cá entre nós, quem gosta de ir nisso mesmo?).

Em uma noite comum, estávamos indo para a academia, com todas as devidas proteções claro, afinal, ainda estamos em pandemia. Mas quando terminei meu primeiro exercício da noite em uma máquina, usei um paninho com álcool para limpar a cadeira, mas minha mãe me perguntou por que eu estava limpando depois de usar e eu disse que era para limpar a máquina e ela disse que deveríamos limpar antes do uso, porque nunca se sabe se a pessoa anterior limpou.

Essa ideia ficou na minha cabeça por uns dias, até um tempo depois quando eu voltei a academia e pensei como é incrível que o nosso nível de empatia e confiança nos seres humanos nunca fica de férias, nem mesmo em uma pandemia. A ideia de que todos apenas pensam em si e o outro que lute realmente me faz pensar se todos somos da mesma espécie.

Claro que sou ingênuo em pensar que todos os humanos são do bem, sempre tem os que se acham que eu sou eu e o outro que se vire nos 30, mas não seria tão melhor se todos pudéssemos deixar nossas diferenças de lado, comprar um sorvete pra cada, sentarmos na calçada e resolver isso na conversa? Porque se nós fossemos feitos para que cada um cuide de si próprio, sem se importar com os outros, as famílias e amigos seriam obsoletos. E daí, quem tá a fim de viver em um mundo sem família e amigos, em?

E pensar que, justo agora, em uma pandemia, todos nós ainda estamos pensando no próprio umbigo, seja não usando máscara porque os outros já usam, seja em não passar álcool em gel porque você já lavou em casa ou até deixando que a outra pessoa na academia limpe a máquina que VOCÊ usou antes, traz à tona o pior lado da humanidade.

Antes de mais nada, essa crônica iria acabar aqui, porém eu pensei em um último detalhe: quando nos é mostrada empatia por um outro ser humano, o que nós dizemos? “Quão gentil!”, dizendo que a gentileza é algo que acontece de vez em nunca, mas quando que nós passaremos a entender que mostrar gentileza a tudo e a todos é simplesmente um dever humano?

Nesse dia, antes de acabar o meu treino da noite, eu limpei meu equipamento depois de usar, esperando que o sujeito que usou antes de mim tenha sido uma pessoa empática, uma que também se preocupava com a pessoa que vinha depois, e eu decidi passar essa empatia, para que a próxima pessoa tenha apenas que se preocupar em se exercitar.


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