O Super Estudante - Crônica
- E. R. Recco

- Sep 7, 2020
- 3 min read
As vezes eu acho que o estudante é um algum tipo de ser místico, enviado pelos deuses para salvar a humanidade de todos os seus problemas. Quer dizer, pelo menos é essa a impressão que eu tenho das pessoas. Ele está em todo o lugar: na reportagem do jornal de domingo, na homilia dos católicos, no discurso dos políticos e nos conselhos dos mais velhos.
Quando a gente escuta essas coisas, elas nos fazem pensar que O Estudante é o único capaz de nos tirar dessa situação, ele vai fazer tudo ficar melhor de novo. O mais legal desse suposto super-herói, é que as pessoas podem imaginarem o que quiserem. Há aqueles que falam que ele fará com que o país volte a ser como era, outros falam em revolução tecnológica e ainda tem aqueles que dizem que preferiam a “edição original” do Estudante (em especial aquela revistinha Nº938), e dizem que a edição “moderna” perdeu o seu glamour.
Quanto a mim? Bom, eu estou interessado em ouvir o lado dele da história. Porque se tem uma coisa em comum entre todas essas pessoas é que elas estão sempre criando ideias e ditando o que O Estudante tem de ser e fazer, mas alguém já parou para pensar que eles também são humanos? Humanos que precisam de todas as coisas que os outros precisam e talvez até mais.
A fase em que a maioria deles passa por é complicada, e o stress constante só piora tudo, tendo que exceder nas expectativas, suas, de seus pais, avós, tios, cachorro. E tudo isso enquanto eles estão passando pela festa dos hormônios. Um balanço de emoções que sempre deixa todo mundo confuso, espinhas para todo o lado pra ajudar naquela foto para o Instagram, voz que falha na hora de falar com o crush, já é stress o suficiente.
Não que isso seja desculpa para que tiremos todas as responsabilidades e deveres deles, além do mais porque, se esse fosse o caso, eles só ficariam no Twitter o dia inteiro, enchendo a paciência alheia, e nós dois sabemos que isso não daria certo.
Porém, antes de imaginarmos O Super Estudante voando pelos céus, fazendo 50 tarefas ao mesmo tempo, tirando nota 1000 no ENEM, inventando máquinas gigantescas para sua idade (tudo isso enquanto destrói uns super vilões e salva umas velhinhas), temos que pensar que ele também tem problemas e dificuldades para carregar e que, de vez em quando, não, ele não vai conseguir completar aquela redação de mais de 200 palavras “mega facinha” sobre a teoria da Endosimbiose que você pediu para amanhã as 7h da matina.
Ao invés, tire essa ideia fantástica da cabeça. Valorize o 10 na prova de matemática. Entenda que, às vezes, existem momentos em que eles só querem se trancar no quarto e esquecer do mundo. Que nem sempre eles vão conseguir fazer uma apresentação sem dar aquela fechadinha nos olhos porque tinha passado a noite em claro fazendo aquela redação de antes. Mas quando ele sair da escola com um prêmio nas mãos, não pense que foi “apenas mais um dia para O Super Estudante”, mas que talvez não seja uma má ideia ir comer um hambúrguer para comemorar.
Talvez esse estudante consiga se tornar O Estudante algum dia no futuro, mas para que isso aconteça, devemos deixar de lado a capa e a roupa colada e tentar encorajá-lo e dar suporte ao máximo, para que, assim, ele mesmo possa pegá-los algum dia.





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