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Máquina de escrever - Crônica

  • Writer: E. R. Recco
    E. R. Recco
  • Sep 6, 2020
  • 2 min read

Eu fui hoje a uma feira de antiguidades com minha mãe para vasculhar em busca de objetos bonitos, quando me deparo com uma maravilha do mundo antigo: uma máquina de escrever Remington dos anos 50 em ótimo estado, o vendedor me disse que havia acabado de restaurá-la e que estava pronto para uso. Com um pouco de táticas de persuasão, acabei convencendo minha mãe a comprá-la e então, voltei todo feliz para casa com minha mais nova peça de museu.

Comecei a transcrever vários papeis que tinha para fazer parecer que eu era um daqueles redatores da segunda guerra, digitando documentos de extrema confidencialidade e que se uma palavrinha saísse erradas, eu teria de começar tudo de novo. Mas também me fez sentir como se fosse um jornalista dos anos 20, reportando sobre as maravilhas da nova década que viria a acabar tão desastrosamente. Ou até mesmo, um romancista escrevendo sua mais nova história de amor platônico que viraria mais um filme de comédia romântica sem graça.

Mas agora, eu estou me sentindo um cronista entusiasmado com sua mais nova crônica que ele só começou a fazer porque não tinha nada de interessante a ser isso. Imagino eu que esse cronista tenha até escrito sua crônica de uma maneira diferente para fazer com que o leitor comum se interesse mais nela só porque foi escrita de uma maneira antiquada e bem cansativa. Tanto, que ele até a compra.

Bom, quem sou eu para julgar os métodos de um jovem escrito paulistano que recentemente adquiriu seu sonho de consumo que era possuir uma máquina de escrever genuína, não é mesmo? Agora temos que esperar para ver o que sai daquela máquina antica e complexa. Opa, parece que eu errei, como é que se apaga nessa coisa mesmo?


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