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Memórias de brinquedo - Crônica

  • Writer: E. R. Recco
    E. R. Recco
  • Oct 12, 2020
  • 2 min read

Mais uma de minhas histórias de pandemia. Eu estava em meu quarto mexendo no computador e fui me levantar para comer alguma coisa, quando eu voltei para o quarto, eu dei uma olhada na poltrona que eu tenho no fundo dele e lá estava sentado meu sapo de pelúcia. Sapo de pelúcia? Como assim? Bom, quando eu tinha seis anos eu recebi de aniversário um sapinho de pelúcia que eu dei o nome de Keko (e não me pergunte o porquê) e, um dia, eu acabei perdendo-o, apenas para encontrá-lo novamente, só que uns cinco anos depois. Desde então eu nunca mais quis desgrudar desse sapo.

Eu acho isso tudo muito estranho, eu já tive diversas pelúcias em minha vida, mas eu nunca me apeguei tanto quanto eu me apego ao Keko, mas eu não sei a razão, ou melhor, eu sei, mas eu acho ela curiosa.

Eu sinto que eu me apego ao Keko pela memória da infância, tempos mais simples, sem preocupações, sem tarefas, sem prazos e, especialmente, sem pandemias. Como que o ser humano, que é esse ser tão consumista, consegue criar laços afetivos com uma pelúcia de mais de nove anos? Ao mesmo tempo que penso nisso, acho essa capacidade incrível, nós, humanos, podemos transferir nossa afeição para um ser de pelúcia e sempre que olharmos para ele lembrarmos de tempos incríveis.

Existe muita critica ao redor das pessoas que guardam muita coisa de quando eram mais jovens, mas por quê? Claro que existem as pessoas acumuladoras e desorganizadas, mas há também as acumuladoras completamente organizadas, mesmo se nós não entendemos sua organização, eu ofereço calorosas palmas a essas pessoas, porque são elas que, apesar de serem apegadas ao passado, sempre guardam a memória de tempos alegres, de infâncias e de esperanças. Aposto que todos nós temos uma pequena vozinha acumuladora em nossos cérebros, mas eu não a chamaria de acumuladora e sim de afetiva, da memória, da vida e do tempo que já passou pois, por mais que devemos sempre olhar para o futuro, os que não tem um ponto de partida, são os que mais se distraem.

De uma volta pela sua casa, olhe com cuidado tudo e tente lembrar da memória que aquilo possui, você se surpreenderá com o número de memórias que irá reencontrar, ou melhor, reviver.

Enquanto você vai lá, eu fico aqui, com meu Keko, te esperando e lembrando, imaginando as histórias de minha infância, que não está tão distante assim, mas que, em períodos de pandemia como esse que estamos vivendo, tudo parece que foi a uma eternidade atrás, então é sempre bom dar uma revisitada na nossa vida, na nossa história, na nossa infância. Ai ai, como sentimos falta dela, não é mesmo?

Um feliz dia das crianças para todos que já foram, e são, crianças, mas também, para todos os Kekos mundo afora, que nunca nos deixaram esquecê-la.






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