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Memórias da sala de estar - Poema

  • Writer: E. R. Recco
    E. R. Recco
  • Sep 7, 2020
  • 1 min read

A poesia explora a mente,

Descobre todos os nossos desejos,

E ao mundo os revela.

A poesia nos leva a lugares,

Longe de onde nossa mente pondera.

Dentro dos corações,

Dentro das sensações.

Aos lugares mais distantes,

Mas também próximos das profundas saudades.

De sensações e de lembranças,

De amores e esperanças.

Sempre que entro nesse reino de loucuras,

Das profundezas e das ternuras.

Me imagino naquela sala,

Aquela sala mal ensolarada.

Nas tardes das quintas calmantes,

Ao som dos pássaros irritantes.

Cacarejantes.

Pertinentes.

Intermitentes.

Me imagino naquela sala,

Com o cheiro trescalo e hipnotizante.

Das fusões de diversos grãos,

As mais leves e fortes infusões.

Me imagino naquela sala,

Os jornais antigos, rasgados,

Amados e depredados.

Me imagino naquela sala,

Vendo-a, sorridente.

Calmante, radiante.

Para sempre em minha memória,

Por mais falha que essa me seja.

Eu sempre me lembro,

Das alegrias que você me trouxe,

Dos sabores que me mostrou,

E da vida que me iniciou.

Eu estou na sala, agora, pacata.

No silencio do tardar,

Do pôr do sol campestre,

De minhas raízes rupestres.

E você está lá, sentada,

Me olhando, divagando,

Falando, pensando.

Sempre me vigiando,

Se preocupando, amando.

E sempre perguntando,

Se já nos alimentamos.

As vezes sim,

Poeticamente,

Espiritualmente,

De coração, de sensação

E de gratidão.

As vezes não,

As bolachas, os cafés,

Os doces e os salgados.


Enfim, como é estranha a poesia,

Nos trazendo profundas lembranças.

Mas nunca esquecerei de você,

Por mais distantes que estejamos.

Para mim, tu és eterna,

E está sentada, naquela sala.

Poetizando comigo, nos quentes abraços,

E nos doces pedaços.

Eternamente, minha poeta.


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