Geração bolha de sabão - Crônica
- E. R. Recco

- Sep 6, 2020
- 2 min read
O cérebro do adolescente funciona de um jeito engraçado. Hora queremos que nos tratem como adultos, pessoas responsáveis e capazes de fazer tudo que um adulto faz e de entender assuntos de adulto. E então, nós voltamos a nossos instintos primitivos de crianças, brincando de amarelinha, fazendo piadinhas bobas e até fazendo bolhas de sabão.
Estava em uma aula de Física e a sala estava dividida, alguns estavam muitos focados em aprender a matéria e absorver o máximo de conhecimento por medo dos gigantes: FUVEST e ENEM, outros estavam apenas olhando para o relógio com cara de pressa para que esse aula acabe logo, afinal de contas, para que cargas d’água eu iria usar movimento retilíneo uniforme na minha vida?
Porém algo curioso chamou minha atenção aquela aula. Perto do final, o professor havia colocado alguns tubinhos de bolha de sabão, que ele disse que foram para uma experiência com o 3º do médio, e os olhos de alguns alunos brilharam. Eles perguntaram ao professor se ele ainda iria precisar dos tubinhos e ele respondeu que não, então se mostraram tão felizes que arrebentariam o teto.
Euforicamente, eles partiram para cima do professor com seus tubinhos, fazendo parecer como se fossem os últimos do mundo. E então, armados, começaram a soltar bolhas pela sala. Alguns soltando-as, outros estourando-as. Rindo, gritando e sorrindo, nós havíamos nos transformado em crianças do 4ºano, brincando de peteca, escutando Adriana Calcanhotto e com nossa única preocupação sendo que horas seria o lanche.
Todos saímos um pouco mais alegres da escola naquele dia. E eu, saí certamente mais curioso. Como nossas cabeças podem ser tão polarizadas a ponto de termos a maturidade de assistir a uma aula de física, mas não aguentamos ver tubos de bolha de sabão que logo damos voz as nossas crianças interiores?
Por isso que a adolescência é considerada a “fase de transição”, porque nós temos uma capacidade a qual nenhuma outra fase tem, a lembrança da infância. A divisão do cérebro entre responsável e brincalhão, uma mente livre do terno e da gravata, literal e figurado, e ainda sim sabendo que, em certas horas, eles até que caem bem.
“Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucos se lembram disso.”Quando Antoine de Saint-Exupéry escreveu esta frase em seu mais aclamado livro, O Pequeno Príncipe, ele nos mostrou que existem dois mundos: o dos adultos e o das crianças, porém o adolescente está lá para mostrar que eles não estão separados por completo, e sim que o adulto é apenas uma criança alta.





Comments