Escoteiro não vende biscoito
- E. R. Recco

- Mar 10, 2021
- 3 min read
Existem muitas coisas que eu aprendi e que vou sempre levar comigo nessa vida: que o quadrado do cateto oposto mais o quadrado do cateto adjacente dá na hipotenusa ao quadrado; que a mitocôndria é a usina da célula; a jamais dizer “por causa de que”, “mais grande” e “subir para cima”, por mais que queira retrucar com “Mas de ponta cabeça eu subo pra baixo!”. Além desses conhecimentos de escola, é claro que levamos para a vida vários conhecimentos culturais, filosóficos e de sabedoria geral, mas eu com certeza, seja minha vida longa ou curta, nunca, nunquinha, irei me esquecer que um dia soube que escoteiro não vende biscoito.
Posso até me esquecer de coisas mundanas como que antes de um mas tem vírgula, que a água ferve a 100ºC e congela a 0º e que só cabem 2 elétrons na primeira camada de valência, mas eu nunca esquecerei que o melhor jeito de atender a sua mãe ao telefone é “Faaaala Mandrake Paula!”. Posso até me esquecer que a Revolução Francesa aconteceu em 1789, que a independência do Brasil se deu em meio a um imperador com diarreia e que, por mais que Platão queira, o humano nunca será uma galinha depenada, mas eu nunca, até mesmo depois da morte, me esquecerei de orar para Nossa Senhora da Bicicletinha Sem Freio.
É, pois é, a vida é cheia de pequenos conhecimentos, coisas que fazem com que acordemos todos os dias e que ajudam a gente a viver, sempre nos lembrando dos pequenos fatos que tornam tudo mais alegre. Realmente, agora que sei, não imagino uma vida onde não sabia dessas coisas, tudo graças a uma escoteira, dançarina, artista, atriz, que não vende biscoitos.
Eu nunca poderia imaginar que desde aquele dia de aula, o primeiro dia de aula (uma segunda, pra piorar as coisas), uma aluna nova gritaria alguma coisa na sala que puxou completamente minha atenção e que, desde então, nunca mais a soltou. Uma grande amiga que tinha um dos gostos musicais mais diversos e balanceados que eu já havia visto. A garota que nos coloca nas mais malucas das situações e nos conta histórias como se elas fossem todas inventadas, ela daria uma ótima cronista com tanto caso que tem pra contar. A garota que, por mais que odeie o aparelho, sabe mais do que devia sobre dentes, dando aulas que as vezes nos perguntamos de onde que ela tirou tudo isso apenas para ouvirmos: “Nisso que dá ser filha de dentista!”. A garota que aconselha e acalma sempre que necessário. As vezes estoura, pula, grita, roda a baiana, mas que se diz equilibrada e a gente finge que acredita, mas, pra falar a verdade, quem aqui nesse grupo é?
Enfim, as aventuras que já vivi com a minha querida escoteira que não vende biscoitos, aliás, nem sei se a posso chamar mais de escoteira, já recebeu tanta honraria e prêmio que, a essa altura, tá mais para Vossa Excelência, Ilustríssima e Majestade. Um tipo de amizade que só tem 3 anos, mas que parece que a gente comia catota juntos no primário e que, ainda por cima, foi me arranjar de namorar um dos meus melhores amigos! Toma conta dele, viu?
Agora, a pequena, mas nem tanto, escoteira está fazendo 16. 16! Jesus, Carol, o que está acontecendo com a gente? Eu não te conheci com 13? Eu acho que foi 10, ou pode ter sido 9, mas, a esse ponto, pode ter sido 19, 29, 39, que seja, essa amizade já tem história (e que história).
Das loucuras da adolescência, as chamadas da madrugada. Das idas ao Starbucks, até as casas dos amigos (por mais que eu não tive a honra de ir ao Cores). Das conversas e brigas. Das risadas e curtidas. É, pois é Carol, a gente já tem história, e espero que ela dure por muitos anos mais. Agora, você me consegue um de chocolate, dois de nozes e alguns de caramelo? Não? Como assim escoteiro não vende biscoito? Coisa mais absurda...






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