Diferenças palavriais - Crônica
- E. R. Recco

- Sep 6, 2020
- 2 min read
Eu estava em casa, já era de noite, fazendo uma lição escolar online que pedia que víssemos um vídeo de uma entrevista com um comediante famoso chamado Marcelo Adnet onde ele satirizava os sotaques paulista e carioca e então comentássemos abaixo sua relação ao tema de variação linguística.
Porém o que mais me chamou a atenção não foi a variação linguística do vídeo e sim dos comentários. Eu comecei a perceber que todos estavam muito bem estruturados e com um linguajar perfeito e isso me confundiu: Você nunca poderia imaginar que alguma dessas pessoas, se as conhecesse pessoalmente, seriam capazes de criar um texto assim e não porque são meio leigos, mas porque eu não consigo imaginar eles falando e escrevendo dessa maneira
Com isso você começa a perceber que as pessoas têm essa dupla personalidade palavrial que os outros não conhecem e eu acho que eu também me encaixo nesse grupo porque o jeito como eu escrevo crônicas não se assemelha tanto do jeito como eu falo.
Não sei se isso se deve a situação ou se todos nós escrevemos diferente do jeito como falam, o que na maioria dos casos é uma dádiva, porém isso deixa a pensar: é incrível as tantas maneiras diferentes de falar que o ser humano desenvolveu, como se, quando fossemos escrever, nosso subconsciente tomasse conta e criasse uma outra pessoa no papel, a dualidade do ser linguístico, o poliglota dentro da própria língua, como já dizia Bechara.
Então da próxima vez que for escrever algo, note o que escreve e como escreve e isso pode te revelar que tipo de pessoa linguística que você é, e talvez até como você é em pessoa, mas o mais importante é que paremos para admirar essas diferenças palavriais que todos temos dentro de nós e como nós seriamos muito mais chatos sem elas.





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