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Como eu queria uma memória de professor

  • Writer: E. R. Recco
    E. R. Recco
  • Feb 1, 2021
  • 3 min read

Updated: Mar 19, 2021

Cá estou: caneta na mão, amor no coração, como já dizia o nosso mestre Vargas. Com meus livros e cadernos e, claro, a tela do computador nem a dois palmos de meu rosto. Hoje não é qualquer dia de aula, hoje é o PRIMEIRO dia de aula, aquele que todos esperam para rever seus amigos, colegas e professores, mas que, infelizmente, é um que todos teremos de nos contentar com uma vídeo-chamada...

Mas eu, particularmente, acho o maior perigo reencontrar seus professores, por mais agradáveis e incríveis que sejam. Por quê? Porque não importa o que seja, ele se lembra. Daquela lição de casa que ele deu no início do bimestre passado que valia metade da nota, e que você não entregou, daquele conteúdo “mega facinho” que a gente já tinha que saber e daquela piada que fizeram com você desde o início do ano retrasado que fez a classe cair na gargalhada no meio de uma aula dele.

É, pois é, você que é aluno, como eu, nunca pensou nisso, só lembrou quando a gente chega no primeiro dia achando que vai ser moleza e o professor diz aquelas terríveis e tenebrosas palavras: “Vocês lembram disso?” Ou até a versão mais pesada: “Vocês não viram isso ano passado?”. Enfim, as férias realmente não ajudam em nada nesse quesito, e então eles são forçados a ter de gastar tempo do ano fazendo uma revisão, que até ajuda aqueles que nem se lembram que série estavam ano passado. Mas falando sério, a gente precisa se empenhar, alunos, vamo lá, façamos um esforçinho mínimo para se lembrar sobre polaridade das moléculas, ou até quem foi Getúlio Vargas, e o que era uma depressão quem lembra? O aluno também acha, comigo incluso, que uma vez que chegam as férias de fim de ano e você já passou, o conteúdo já pode ir todo pela janela, que nunca mais que eu vou encontrar com isso novamente. Agora que eu escrevo isso ao invés de só pensar, parece muito que fazer essas perguntas no começo do ano letivo é só um truque elaborado para fazer com que lembremos da matéria, como se quisessem nos pegar de surpresa e deixar todo mundo com cara vermelha. Os professores devem se reunir e falar: “A gente não vai usar esse conteúdo esse ano, isso é coisa do passado, mas quer apostar quanto que ninguém se lembra?”. Pronto, agora isso nunca mais vai sair da sua cabeça e fique esperto toda vez que passar perto da sala dos professores no recreio.

Agora falando sério novamente, dessa vez aos professores, peço desculpas em nome de todo estudante do mundo inteiro que não parou para pensar como foi mesmo que as revoltas regenciais aconteceram durante as férias, que não observou como as moléculas se agitavam e se transformavam em vapor quando aquecia a água da banheira, e que quando ele pula na piscina, isso só acontece porque a terra está o puxando (e ele também a empurra). Então mais uma vez, desculpas, nós somos meio lerdos em geral.

Mas da próxima vez que a Patrícia explicar sobre polaridade do sabão com a água, o Vargão sobre o que é um fenol, a Mirtes sobre as peças de artes roubadas durante a Segunda Guerra Mundial, a Alana sobre os diferentes predicados, a Rôs sobre logaritmos (que eu ainda pretendo entender) e o Isaque sobre o porque os cavalos são todos iguais, já vão se lembrando que provavelmente nós esquecemos, porém vamos começar a lembrar mais nas férias, afinal, vocês merecem que a gente pelo menos saiba disso.

Enfim, por hoje é só, agora é pisar fundo e tentar não esquecer esse ano no próximo primeiro dia de aula. Um ótimo começo de aula para os alunos e professores que começaram e para os que estão esperando a sua vez de lembrar e ser lembrado da matéria.


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