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Adeus, Brasil

  • Writer: E. R. Recco
    E. R. Recco
  • Sep 6, 2021
  • 3 min read

Cá estou, comigo mesmo, pensando em como vou escrever esse texto. Como descrever um lugar como o Brasil? Tão cheio de maravilhas e desgostos, que nos faz querer sair dele o mais rápido possível e de jeito desesperado, mas que ao mesmo tempo nos impressiona com a sua aparente estabilidade, cultura e povo inigualável. Esse lugar que já é tão cheio de pessoas que eu amo, no caso quase todas elas, ainda tem a audácia de me deixar ao ponto de lágrimas só de ver as palavras “Aeroporto Internacional de Guarulhos”.

Como vou sentir falta da minha terra, onde cantam os sabiás e mais um milhão de outras coisas, que não pode não criar uma versão BR de tudo, que sempre pede para todos os famosos virem pra cá pelo menos uma vez (e a maioria vem mesmo, coitados) e que é abençoado por Deus, mesmo que as vezes parece que até ele não dá jeito na causa. Apesar dos apesares, tenho um lugar especial dentro do meu coração para todas essas brasileirisses que temos.

Um lugar que me fez gente, que me transformou em quem eu sou hoje e que me fez conhecer todas as maravilhosas pessoas que hoje chamo de família. Mas além da família biológica, meu pai, minha mãe e meu irmão que hoje devem estar com uma mistura de felicidade, angústia, tristeza e ódio por terem que viajar até outra cidade em plena madrugada de uma terça-feira. Contudo, existe também a minha família de alma, de coração, de consideração e eles sabem muito bem quem são. Essa crônica vai para todos vocês. Para os amantes de mapas e loucuras diversas; Para as minhas queridas escoteiras, que não vendem biscoitos; Para os que falam mais que maritacas; Para os cientistas e filósofos amadores; Para as dramáticas do amor; Para as escritoras loucas e perseverantes; Para os “apreciadores da cultura japonesa”; Para a “Tuupinique digidigidongaa saposapoassee” do meu coração; Para a melhor agência de modelos que serve para transformar vidas e dá de si antes de pensar em si; Para o meu V de Vila, I de Itaqua, R de Rio Branco e todas as outras letras desse maravilhoso alfabeto do servir.

Deixar tudo assim, do nada, é um desafio e tanto para mim, pois não vejo uma vida sem essa minha família, ou seja, vocês infelizmente terão de me aturar 24 horas por dia, 7 dias por semana mesmo no Canadá seja por telefone, videochamada, mensagem de WhatsApp, sinal de fumaça ou o que eu tiver a disposição na tundra. Mas tudo passa nessa vida e, um dia, eu volto, e volto com toda força de alguém que anda por um deserto e vê água pela primeira vez em dias.

E, além do mais, será uma viagem e tanto, explorar para fora das terras tupiniquins de Pindorama para o congelante mundo norte-americano como um infiltrado, apendendo novas culturas, costumes, manias, vergonhas e todo tipo de coisa que canadense deve fazer (qualquer coisa, eu digo que é para um TCC).

Nossa, agora que eu estou relendo essa crônica, parece como se eu fosse morrer ou ir e nunca mais voltar, credo gente, perdão, mas vocês não aguentam mais de 6 meses sem mim e além disso, como já dizia o grande papito Supla (levemente adaptado): “Em São Paulo onde eu nasci/ Eu não queria sair daqui/ Eu saí fora só pra dar um tempo/ Não te esqueci por nenhum momento (...) E pra São Paulo eu quero voltar/ Chega de morar no Canadá!”

“Tudo acaba e é sempre triste, mas tudo começa de novo e é sempre feliz”, essa frase dita pelo maravilhoso Peter Capaldi interpretando um de meus personagens favoritos, explica perfeitamente o que estou sentindo neste exato momento. Um dia em nossas vidas, coisas vão acabar: amizades, sonhos, esperanças, desejos, vidas..., mas o importante a se lembrar é que tudo começa de novo: novos sonhos, novas amizades, novas vidas... O ser humano existe em um constante estado de mudança e adaptação, esse vai ser um período e tanto para a minha adaptação como um. Eu queria muito colocar todos vocês em uma caixinha e levar para todos os cantos do universo, mas algumas coisas nessa vida teremos que passar por sozinhos. Entretanto, nunca solitários, vocês estarão para sempre embutidos no meu DNA.

Bom gente, é isso, eu já vou indo que se não meu voo vai sem mim (e antes que os cientistas amadores me corrijam sobre o negócio do DNA), prometo que trago um chaveiro para todo mundo, enquanto isso, vão segurando as pontas por aqui sem mim, qualquer coisa é só ligar. Um cheiro para todos vocês!


Seu querido brasileiro infiltrado no Canadá,

E. R. Recco


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