A Luz - Uma pequena história
- E. R. Recco

- Sep 6, 2020
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O mundo estava triste, a escuridão prevalecia, apenas o brilho claro e cansativo da lua trazia uma calmaria. Sua luz branca como uma pálida face reinava os céus e a terra trazendo o cansaço e a fatiga para tudo que encontrasse, porém não se tentava lutar contra a fatiga, mas sim era apreciada, e então se dava o sono e a calmaria das ruas escuras apenas iluminadas pelo luar, agora cheias de almas das horas em que está cheia, espíritos vagando desesperadamente calmos, enquanto seus donos estão a dormir nos prédios acima.
No meio da vasta calmaria escura do crepúsculo, havia a luz. A luz que quebrava a homogenia da paisagem e trazia uma outra perspectiva, a oposição ao reinado calmo do luar e a única resistência aos espíritos e ao sono. Porém, mesmo que a luz traga todas estas qualidades renovadoras, a lua predomina, e por isso, mesmo que a veja, não se sente sua presença, como se nem estivesse ali.
Quem ela entrava em contato, não se tornava um espírito vagando e sim, uma pessoa perdida e enganada pela luz do luar. A luz intensa tentava persuadir aqueles que encontrava com suas substâncias das mais peculiares, saindo de máquinas que exilavam um calor e fumaça de um chão de fábrica. Havia aquele que ajudava a luz intensa a apanhar seguidores, porém até esse era levado pela calmaria e sonolência da luz branca do luar.
Mesmo assim, a luz ainda infectava tudo e todos ao seu redor, sem causar efeito, mas tirando o antigo domínio da lua. As barreiras que deveriam manter a luz intensa em seu lugar, pareciam meros arcos que enganavam os despercebidos em acharem que eram janelas.
E lá estava eu. Ambíguo. Sendo enganado pela luz branca e tentando me manter acordado com a luz intensa. Sem ter como sair ou como entrar. Eternamente preso a esse assento, observando a luz intensa tomar o mundo, sem efeito, e vendo a luz do luar infectar o mundo com a calmaria, mesmo sabendo que até ela terá seu padecer.





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