A arte da bondade humana
- E. R. Recco

- Jan 23, 2021
- 2 min read
Updated: Mar 19, 2021
Eu percebi que venho falando muito sobre maus hábitos dos seres humanos, nossos problemas, vícios e irritações, e até, se me permite caro leitor, a me rotular de um crítico de humanos profissional. Então, já que eu sou um tão ferrenho crítico da espécie humana, decidi que por pelo menos essa crônica, iria avaliar uma boa característica humana: o poder da sociabilidade.
Recentemente, eu fui em uma viagem até Foz do Iguaçu, um lugar muito lindo (e sem falar das cataratas que eram uma beleza etérea por si só). Lá eu pude ver um mundo diferente do da cidade, ou pelo menos as pessoas haviam temporariamente mudado. Talvez a paisagem descorrompa as pessoas, mas quem sou eu para saber.
As mesmas pessoas que na cidade grande gritavam no meio do incessável trânsito na marginal, agora sorriam e se abraçavam. Os que nem gostavam de ver uma bebê, muito menos um chorando, que já saiam da sala, agora faziam caretas para fazê-los rir ou acalmá-los. E aqueles que eram fiéis a ideia “Que cada um cuide da sua vida”, agora estavam desesperadamente ajudando a carregar as malas na entrada do hotel, em alguma tradução para os que não sabiam português, ou até em um simples “Como vai o seu dia?” para uma pessoa que acabou de conhecer no ônibus que ia até a porta do parque. Parecia uma terra encantada onde não tinha guerra e nenhum ódio. Alguém chama a Marisa Monte.
Por exemplo, uma vez eu estava andado pelo rio Iguaçu em um bote com não muitas pessoas, mas com certeza estranhos. Perto do final da viagem, eu escutei um homem se perguntando um outro nome para o bondinho que ele via um pouco a frente de onde estávamos, eu sugeri teleférico, mas não era exatamente isso, então outra pessoa deu sua opinião, mas ainda não era o que ele queria, e isso continuou até aportarmos. Ele saiu do barco sem saber o nome que procurava e, claro, eu fui só lembrar do nome do treco depois que ele foi embora. Caso você esteja lendo isso, ou só se perguntando qual outro nome para um bondinho, a resposta era funicular.
Mas é isso que eu acho mais incrível, onde na cidade todos teriam ignorado a pergunta do senhor (vou até admitir que eu provavelmente também teria), aqui todo mundo se juntou e começou a pensar, fazendo até parecer que nós éramos gente! Aí aí, essa viagem realmente levantou meus astrais, me fez pensar que o ser humano não é tão ruim quanto falam, claro que tem coisas horríveis por nossa causa, mas quando a gente quer, a gente sabe ser amigável e abrir uma gelada com o senhor da esquina lá no bar do Alê, quem quer que seja esse “Alê”.
Enfim, acho que vou acabar por aqui, mas só lembrando aos leitores, todo o ser humano é capaz de atitudes incríveis e nós podemos ser uma espécie brilhante e cooperativa que sorri junto e chora junto também, a gente só precisa perceber e ser isso mais vezes.
Pronto! Ufa! Já fiz minha parte, para os leitores frequentes, voltaremos com nossa programação de criticas a humanidade na próxima crônica. Meu tema: “Por que bebês são tão horríveis?”. Brincadeira. Eu AMO bebês, mas falando sério, até a próxima.





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